terça-feira, 13 de outubro de 2009

paradigmas existenciais

Quando nos colocamos em uma posição de presentes na estrutura dinâmica, como seres que estão a frente a tela em branco, com o pincel e tinta na mão, dispostos e confiantes que podemos pintar o melhor quadro, melhor em nossa concepção de melhor. Somo sinceros conosco, agimos em prol de nosso melhor, ou da concepção do que é melhor. Concepção, conceito ação. Interfiro na realidade, porque me sinto disposto e confiante, confiante da concepção do melhor. Interfiro, porque constato que algo não está bom o bastante, que minha interferência, na concepção do que pode melhorar, insere a verdade naquele momento. Interfiro porque estou presente, consciente da realidade que se coloca a frente, a tela em branco. Consciente do inconcluso, inacabado, enxergo o em branco. Interfiro, porque a realidade que se apresenta, em branco me pertuba. Conflitua com a concepção que construi até aquele momento. Interfiro, quando me faço parte da construção da realidade, também, quando permito que seja um agente, parte do processo. Permito-me intervir na inércia, quando assumo a permissão. Na inércia permitida por mim próprio. Sou interventor da realidade, decido e permito. Quando intervenho na realidade, como um eu e um outro ao mesmo tempo, desconstruo o individualismo, a violência. Intervenho, como passo para o melhoramento, do eu e do outro. Negar o outro, na ascensão, no melhoramento, é negar ao eu. Anular a existência, própria, de si. Essa posição gera sofrimento, como a representação do não desejo, do não querer, da não vontade própria do si, como algo que não permito. O sofrimento do outro, é sofrimento quando permito que seja. Quando permito, assumo, decido, opto. Intervenho na realidade, sou presente com o outro, junto. Quando assumo o sofrimento do outro, assumo a existência, do outro, do eu. Assumo e posiciono-me, sou, com o pincel e a tinta, frente à tela em branco. Assumir a presença, como a impossibilidade de não assumir a não presença, quando assumo a não presença, o não assumir, ainda decido, assumir o não assumir. Quando?

domingo, 21 de junho de 2009

um longo texto

Saudações tripulantes! Hoje em sala de aula, abordamos o assunto educação, e toda a discusão que vem junto. De quem é a culpa, de um sistema precário, ineficiente e cego? Não chegamos a nenhuma conclusão, claro, ninguém é culpado, ou todos somos?Houve discursos de ex professores, pais e alunos, cada qual salientando seu ponto de vista. O interessante das discussões acerca de assuntos sociais é que todo mundo tem uma teoria, e geralmente essas teorias apontam logo o porque que os sistemas não dão certo. É culpa da família, do governo, dos professores, da escola, do traficante, etc. Por que ficamos tão excitados em culpar alguém? Acredito que ter consciencia de pontos falhos da nossa existência, é muito importante para repara-los, aliás é o primeiro passo. Mas, se for, justamente, querermos a toda prova encontrar alguém, ou algo para colocar na cruz, for o ponto falho?Por onde começaríamos uma mudança, se partíssemos de outro ponto, que não fosse culpar?Entendam tripulantes, não estou dizendo que o caminhar deve ser cego, pelo contrário. Ficar nesse hiato incessante, a caça das bruxas, dispensa-nos energia que nem temos noção! Travamos uma briga de egos, quem tem mais razão?Entramos na realidade da mudança, esperando algo que supra as minhas necessidades de encontrar o culpado e extermina-lo? Ou somos a mudança e agimos com ou sem culpados? Se não existissem os culpados, teríamos o mesmo fervor em agir em prol dos nossos ideais? Queremos uma mudança, que mudança? Vamos usar das lacunas de nossa sociedade para achar os culpados, ou por que simplismente essas lacunas não deveriam existir?Quero dizer, que creio, que a mudança é acima de tudo uma mudança de conceitos. Não estamos mais em época de travar lutas, bastam as guerras! Se queremos paz, respeito, devemos senti-lo até por aqueles que odiamos, os culpados? Ou até mesmo os sentimentos nobres devem passar pelo crivo pontual da mente humana?Por que se os culpados não forem culpados, o que vão ser? Quem vamos odiar? Será então que nós, nos alimentamos deles?Por que precisamos dessa contrapartida para que a vida faça sentido? Se não existisse a que odiar, ainda assim preservaríamos o amor, pelo simples fato de amar? Ainda que nossas necessidades básicas não fossem corrompidas, buscaríamos elas, pelo simples fato de buscar?Engajamo-nos para que possamos levar ao outro as oportunidades de escolha. Mas, nós temos oportunidades de escolhas? Nos nos damos oportunidades, como seres humanos? Conhecemos a nós mesmos? Ou usamos desse cenário para dar sentido a nossa vida?Estamos todos juntos, inseridos uns nos outros, e outros em uns. O meu movimento interno reflete no movimento do todo, e vice-versa? Se assim for, alimentar o ódio, culpa, engano, sabotagem, mesmo que seja pelo Bush, e em última instância, na calada da noite, por mim mesma não é alimentar aquilo que mais repudiamos? Ou seria nos alimentar?Utopia...

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Ser, mulher


Estava há algum tempo sem escrever. O ato de escrever é crucificador. É por no papel um pouco, ou muito de mim. Esse tempo de abstinência se deu por eu não querer mais ser crucificada. Escrever aquilo que pensamos, que sentimos é, simbolicamente, um ato de súplica. Desejar que alguém compreenda um pouco de nós. Uma forma de materializar, afirmar o que somos ou o que queremos ser. E todo esse tempo tenho fugido disso. Não quero mais a compreensão, o entendimento, não desejo mais afirmar minhas emoções, não quero ser aprisionada por palavras. No dia 07 de janeiro eu completei 20 anos nessa dimensão. Não que isso significa alguma coisa, mas signica muito. 20 anos de vida. Até ontem não tinha parado para analisar todos esses 20 anos como anos, como tempo. Anos como mulher. Fui a casa de um amigo, que há tempo não via. Ele mora com a irmã. Em algum momento senti vontade de ir ao banheiro. E fui. No banheiro, que fica no quarto da irmã eu me deparei com um cômodo tipicamente feminino, um banheiro tipicamente feminino. Tapetes cor de rosa, toalhas cor de rosa e branca. Muitas escovas, de todos os tipos, tamanhos, vários acessórios para maquiagem, bóbis para cabelo, secador, chapinha, cremes, prisilhas, amarradores e etc. E ali, fazendo xixi e observando todas aquilas coisas foi o momento em que refleti sobre meus 20 anos como mulher. No meu banheiro, ou no meu quarto não há nada disso. E sabemos que todo ser humano se questiona quando se compara à outro ser humano, e se dá conta das diferenças. Questionei minha feminilidade, a importânica que todos aqueles apetrechos tinham na minha vida. Eu nunca tive bóbis de cabelo, muito menos aquela quatidade de pincéis de maquiagem! Eu nunca me identifiquei com a cor rosa, cor de minina. Percebi que nada daquilo faz ou fez importância na minha vida, pelo menos depois dos meus 7 anos! E me libertei. Percebi que eu me comporto muito mais como um ser humano do que como uma mulher, uma minina. Percebi que eu não preciso de bóbis para ser quem eu sou. Que meu feminino se manisfesta de outras maneiras, mais interiores, como força feminina e não como forma feminina. Vendo tudo aquilo me dei conta que exatamente onde não há o esteriótipo feminino é onde mais se encontra a feminilidade. Na dureza, na força, na decisão, no suor, no vermelho e não no rosa. E assim como não escrevo mais esperando que minhas palavras se materializem, também não espero que "minha" mulher se materialize, que ela chegue nos meus 20, 25 ou 40 anos. Ela já está comigo. Eu simplismente a sou.

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Pensamentos

É...É fim de ano! Nessa época até o percursso da minha casa até o centro em um ônibus lotado fica agradável. Os dias ensolarados parecem deixar as pessoas mais felizes, todas empolgadas indo às compras, pensando em como agradar aquela que ama. Dizem que é a época em que o ser humano pensa mais no próximo! Cada um da sua maneira. As convenções sociais sugerem que faça novos planos, que faça uma nova vida, que mude de casa, de carro, de amor...De 365 dias do ano, tiramos alguns no máximo uns 60, para pensar na nossa vida como vida e nas pessoas como pessoas. Somos cúmplices no nosso descaso para com a vida (inteira) e só tentamos reparar os buracos nos míseros últimos dias do ano. Mas já é um começo, literalmente. Nada melhor como um novo ano, como uma ruptura simbólica do passado. Uma chance de começar, recomeçar, de novo, o novo. Se realmente for assim, que venha o ano novo!

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Arte

Jeanne Hépturne - Modigliani
Um dos meus favoritos, principalmente depois que conheci sua história de vida. Amadeo Modigliani foi contemporâneo de Picasso, porém diferente do espanhol, sua arte não se enquadra à nenhuma escola. Mogiliani nasceu em Toscana na Itália, judeu, sofria de tifo o que o obrigou a mudar-se para Paris para se tratar. Retratista autônomo, fez fama pelos seus nus, que chocaram a sociedade da época (1900). Sua grande inspiração foi Jeanne Hépturne, com quem teve uma filha, Jeanne. O pintor viveu na miséria e os poucos que ganhava era para sustentar seu vício, o álcool e o haxixe. Morreu em 1920, aos 36 anos, por complicações devido à tuberculosa, e é claro pelo seu estilo de vida bohemio. Jeanne se suicidou no dia seguinte ao pular do quinto andar de um prédio, grávida de 9 meses. Para quem quiser saber mais sobre o pintor recomendo o filme Modigliani, de Mick Davis ( França 2006) estrelado por Andy Garcia. Um dos meus filmes favoritos também, não pela cinematografia, mas sim pela história em si, simplismente maravilhosa em sua tragédia. A primeira cena é um close de Jeanne dizendo a seguinte frase: Você já amou alguém tão profundamente, capaz de condenar sua alma à viver eternamente no inferno. Eu já."

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Arte

Les Mademoiselles D'Avignon - Pablo Picasso

Desde a Revolução Francesa, no século XVI o mundo nunca mais foi o mesmo, pelo menos no mundo da arte. A cena artística buscara por novos horizontes, cansada daquela mesmice empregadora. Queria-se liberdade e autonomia para as produções artístiscas. Assim foi feito. Na sociedade contemporânea, o desenvolvimento da arte se caracterizou por uma certa ruptura com as convenções que faziam dela um objeto para intelectuais ou burgueses. Mas o que se pode chamar de arte contemporânea vem muito depois do que se pode chamar de sociedade contemporânea, marcada com o fim da Revolução. O belo, segundo Kant, é perceber na forma de um objeto sua finalidade, sem que possamos determinar conceitualmente qual é o fim específico subjacente a ela. Pois bem, essa idéia de finalidade é remodelada, desgastada. Não se quer mais fazer uma arte que tenha um fim, ou melhor, se quer arte com a finalidade de não ter fim. Oras, em toda história da arte, grega, medieval, renascentista, barroca e clássica, tinha-se um significado por trás de sua confecção. A arte contemporânea não. O desenvolvimento do mercado favoreceu para que ela perdesse seu fim. A arte é feita para ser arte- a famosa l' art pour l' art - , não obedesce à convenções e regras que possam caracterizá-la com algum especificidade e assim determinar algum objetivo além desse: ser arte. Por assim ser, ela torna-se anti-social, desprezando normas e preceitos de estruturação preconcebidos. Então, a arte cria um significado a partir dela mesmo, da singularidade. Ela se afasta da sociedade para criticá-la. Esse afastamento produz um efeito individualizante da obra, no qual seu lugar no mercado é dado pelo seu valor de sí, para sí mesmo e não mais pela universialidade da experiência que cada um pode ter com ela. Por isso ela é tão envolvente. Nela é expressa uma experiência única, sem significado e livre de qualquer regra de interpretação. Na verdade, a arte contemporânea é como um grande quadro negro, onde pode-se escrever e desenhar o que quiser, não precisa mais de conhecimento ou classe para produzir, entender e consumí-la. O discurso é contra o preestabelecimento de normas, o homem está livre para pensar o que quiser. O capitalismo é alienante e a arte moderna quer mostrar isso. Para isso, ela usa de objetos que possam chocar. Apoderando-se de materiais que não são belos, adocicados ou harmoniosos. Prefere por contercer, desfigurar, arranhar, sujar, marcar, fomas e cores que agucem a sensibilidade do receptor. " Todo esse conjunto de elementos que chocam nossa sensibilidade, nossa imaginação e nossa forma de entender a realidade toma o estatuto de algo irracional. Mas essa irracionalidade estética, acaba sendo mais verdadeira e, portanto mais racional do que a aparência de racionalidade que a vida cotidiana possui, que dissimula o sofrimento de todos nós, submetidos à pressão das exigências culturais. A vida no sistema capitalista consiste, então, em uma dupla irracionalidade: recalca de forma exorbitante nossos desejos e obscurece nossos olhar para tal absurdo".