terça-feira, 8 de outubro de 2013

Casa nossa

Pode entrar a casa é sua
Toma-me em seus braços, até deixar-me nua
Nua de vergonha
Nua de  vaidade
Nua do contrário da verdade

Pode entrar a casa é sua
Livre-se na porta de qualquer medo que possua

Até onde vamos, os temores não podem chegar
Venha logo, não se demore ao infinito adentrar

Pode entrar a casa é sua
Nosso amor não tem lugar pra acontecer
Na chuva, no sol, na chuva, na rua

Pode entrar a casa é sua
Faz-me companhia
Com o suco e a salada crua
Faz-me de conta o que desejar, pois sei...
no fundo dos seus olhos o mal não há de estar

Somos juntos, o moço, a moça
Pode entrar a casa é nossa.

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

fragmentos primeiros


Estava entretida em pensar sobre os inícios e fins. "As coisas, isso que sonda a vida, tudo isso, são voltas. Apenas repetições, em espaço e tempo diferentes", pensou entretida consigo mesma. Ao mesmo tempo, os retornor, as indas e vindas e essa sensação de acontecimento repetido, pareceu-lhe banal.
Expressou isso com um leve franzir da testa...
"Não é nenhuma novidade e isso é uma confirmação" sussurrou em voz baixa.

Seus passos eram sempre rápidos. Como seus pensamentos. Assim fazia seu caminhar.

Ao perceber sua ligeirice, diminuiu o ritmo... tentou acalmar sua mente. Procurou olhar ao redor... e se surpreendeu ao notar alguma beleza naquela parte da cidade.

 O trilho do trem cortava sua rota, dando charme a paisagem. O apito, estridente ecoava em persistência, clamando atenção. Atenção!
 Sonoramente não era agradável, mas de alguma forma a trazia para o presente, marcando um tempo.

Dava para ouvir o apito de sua casa, mais especificamente do quarto, da cama. Toda manhã, o apito soava, num ritual urbano e bucólico, entrecortando suas carícias matinais.

O trilho era cercado por uma parcela de grama até chegar à rua dos carros.
A beira da rua havia uma ciclovia, por ali ela caminhava vigiada pelos hibiscos e patas de vacas.

Na época de florir, ambas as árvores deixavam mais lilás o caminho e isso a agradava muito.

Ao longe dava para ver a serra e de alguma maneira isso a deixava segura, como se o mundo ainda não tivesse se tornado completamente cinza.

A cidade muitas vezes a deprimia, ela havia crescido no interior, e ainda não se acostumara com a cor cinza predominante, achava a aparência das pessoas cinza.

Ao tomar o ônibus a caminho do centro, imaginava seu rosto também cinza.
"Lilás", disse em voz alta, comprimindo os olhos fortemente.

 Percebeu que havia acelerado o ritmo e retornou a olhar os hibiscos e concentrar-se neles Diminuiu seu caminhar, passos mais lentos e firmes. 
" Assim fazem os monges para disciplinar a mente".

Mesmo que não conseguisse caminhar com plena atenção, como faziam os monges zen, ela se sentia bem caminhando e isso por hoje bastava.

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

viajante


poesia espectral

  

                               um pouco de mim se esvai a cada dia
                               posso sentir os pedaços se decomponto
                          
                                       como pequenas mortes,
                                                     deixando frações de mim no espaço...
                                          

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

pássaros me ensinam uma lição

Tem dias que a gente acorda achando tudo muito difícil, ainda mais com o som,  nada melódico, de uma máquina de cortar grama. Na verdade, a noite já começa com aquele ar de dificuldade, aí já viu, rola pra lá, rola pra cá.
Fico pensando porque temos essa tendência em achar dificuldades em tudo? Quando buscamos o contentamento verdadeiro, que vem do coração, achamos muitas respostas. A mente é um macaco bêbado picado por um escorpião, sofremos uma ilusão, que nos prende a esse estado denso, material. E tudo que buscamos na vida mundana tem expectativa no material, no acúmulo, na imagem, do externo.
De repente, eu percebi que até minha busca espiritual estava virando uma busca material, cheia de ansiedade, culpa, cobrança, apego, expectativa.
Como é bom e alegre lembrarmos da vida!
Buscando pela vida, muitas vezes nos esquecemos que ela está em nossas mãos, na ponta do nosso nariz, dançando na nossa frente, e muitas vezes nem demos bola.
Se antes eu era presa por uma idéia de vida com sucesso profissional, bens materiais, pessoas me reconhecendo, agora eu estou presa por uma idéia da liberdade. Não é fácil.
Talvez muitos aspirantes espirituais passam por isso, por esse paradoxo.

Mas essa manhã Deus me presenteou com a vida pura e simples. Tomando café e olhando pela janela, de repente vi um passarinhho azul saindo de dentro do telhado do prédio da frente. Não é só um, são dois. O primeiro saiu voando e o segundo ficou na "porta de casa" só olhando e cantando. Como quem diz, "boa caça,vai com cuidado". Mas é claro que não foi nada disso, é só uma mania que humanizar tudo. Talvez a verdadeira humanização esteja em não humanizar tudo, perder essa mania de olhar tudo sob uma perspectiva humana. Não é fácil
Então, o segundo passarinho saiu voando também, e os dois começaram uma dança circular, um voando atrás do outro, que mais parecia um pequeno desentendimento, mas vai saber? Foi lindo, fiquei tentando adivinhar o que eles estavam fazendo, quando Deus de novo me deu um presente, e disse em meu ouvido, "eles estão vivendo"...
Eles estavam em uma revoada tão frenética que quase um deles entrou pela minha janela. Fiquei extasiada.
Olhei para baixo, e percebi que haviam outros pássaros na grama. Era realmente uma festa!

O João, jardineiro aqui do prédio, é a alegria dos pássaros. É ele quem corta a grama. Nesses dias, de comida farta e minhocas e insetos borbulhando na terra fresca, são que meus vizinhos passarinhos fazem a festa, numa espécie de dança circular.
Algo de realmente divino me encheu o corpo.

 






quinta-feira, 26 de agosto de 2010

relato sobre algo feliz


Depois de uma temporada de intenso frio, e pessoas já acostumadas com as tensões naturais do recolhimento, aquele dia de sol parece quase um acordar de profundo sono.
Nenhuma oportunidade seria tão cabida para refletir sobre a cooperação, do que essa. São momentos em que tudo conspira, coopera naturalmente.
Mas, para perceber o que cada momento nos trás em sua essência, há a escolha... a própria escolha de perceber, de ter consigo os remos e remar.
Remando para o Lar Rogate fomos, e para nos certificar ainda mais da natural cooperação, até encontramos ovelhas e um belo arborizado campo multicolor. Aquela voz suave nos diz, nem tudo é sonho, nem tudo é realidade...
Na cooperação, há dança, há cadeiras, a dança das cadeiras é a nova brincadeira, que não tira lugar de alguém, mas dispõe estar no seu lugar e ver...enxergar. Há lugar para todos, em qualquer lugar.
O campo arborizado lá fora, toca aqui dentro como numa sinfonia de harmoniosa cooperação, nos lembra ainda mais de que tudo está inter-ligado. O toque é o apelo do recém nascido, é o apelo do violão, é o apelo do teclado, é o apelo dos remos pelo mar, e do mar pelos remos. Ahh, isso sim é movimento.
Para onde se quer chegar, basta mais que apenas remar, basta apenas amar. E de amor somos. Feitos toque, visão, olfato, paladar e audição nessa dança cooperação que sussurra a existência do outro em mim, em ti, em nós.
O aqui dentro é. Lá fora, árvores balançam no ar, a circular na dança ancestral. Como circular é o vento de leva, e trás a chuva com a necessidade de remar mais. Segurar firme nos remos, os conservar. Ter consigo, A certeza, de que depois da tempestade é ela que sobra, é ela o que conservo na condição do destino, ser servo.
                                                                                              Texto para nosso encontro do curso de Cultura da Cooperação
www.coiris.com.br


quarta-feira, 4 de agosto de 2010

inspiração devocional

Em todos os momentos em nossa vida, se dedicarmos nossos pensamentos em ideação a Suprema Consciência, estaremos praticando a devoção.
Se olharmos para fora através das janelas dos carros, se observarmos melhor o mundo em que estamos inseridos, veremos com o coração em que belo e lindo lugar escolhemos para viver. Imagino, e lembro-me também das aulas de geografia, quando o professor dizia das dimensões do nosso querido planeta. Desconsiderando o pensamento de que a vida surgiu na Terra, quando surgiu a primeira bactéria... a vida sempre existiu, a vida é Deus. A vida não começa a existir com bactérias, ou deixa de existir com a morte. Tudo é vida, Consciência Suprema.
Imaginemos então, quão grande pode ser a dimensão da vida, em que estamos inseridos e fazemos parte, e quão grande é esse planeta do qual fazemos parte, nossa querida Terra.
Gaia, assim como todo organismo, como tudo, que é orgânico, pois tudo que conhecemos veio de Gaia, sofre transformações, manifesta-se de inúmeras formas, assim como inúmeras são as possibilidades, e conseqüentemente essas transformações  refletem em nós, seres humanos e em tudo, pois somos um só.
Classificar como catástrofes essas transformações, é ter uma visão muito pessimista do nosso querido Planeta.
Realmente pode parecer muito triste estarmos a mercê das adversidades da vida na Terra, porém essa é uma ancestral verdade, da qual estamos a fugir com muito medo. Se não foi dessa forma que chegamos a construir verdadeiras fortalezas, a nos afastarmos da natureza, de nós mesmos, a sustentarmos a crença de uma segurança ilusória no dinheiro...
Quando nos vemos diante de fatos, como ondas gigantes, terremotos, que podem devastar estruturas inteiras como cidades, sentimos nossa incapacidade diante da grande força que há além de nós, e muito sensibilizados por aquelas pessoas que sofreram traumas e perdas. No momento seguinte queremos logo achar soluções para que tudo se acalme, para que a Natureza não tenha mais essas manifestações naturais.
A Natureza tem um poder muito grande, e ela se manifesta constantemente, pois como nós ela está em processo.
Devemos aceitar essa proporção. Aceitar que apesar de possuirmos faculdades diferentes dos outros animais, que nos permite avaliar nossa existência, não significa que somos superiores, e que adiante de nós há mais vida, com outras faculdades, inclusive a própria faculdade que nos criou.
Comparando a terra com um ovo, para termos uma noção, a crosta da terra, na qual construímos nossas estruturas, é como se fosse aquela película que fica embaixo da casca. Pois é, então qualquer coceirinha que a Terra dê, para nós gera uma "catástrofe".

Assim, devemos aceitar com amor o que a Terra nos dá, nossas meditações devem ser de comunhão com a Terra, com o Todo, e não devem ser estimuladas pelo medo de um fim. Tudo é vida, na vida.
NAMASKAR



segunda-feira, 22 de março de 2010

ao papel em branco


Quão perigoso, libertino e sagrado és tu, límpido, claro, receptivo e inocente papel em branco. Disposto a tudo, fulgaz e delicado. Nenhuma palavra adjetiva é capaz de rabiscar-lhe por inteiro e preencher-lhe por inteiro. Nenhuma palavra poderia sequer existir como tal, sem a gentileza de sua força. Assim igual brinca a boca à espera do beijo, querido papel em branco, brincas com minha'alma. És fonte de todo murmúrio e discórdia da classe humana. Aos seus pés ajoelham-se cleros, juizes, sábios, genios e suicidas. Em sua face pálida contém toda indiferença de um tapa ou de um afago. És cúmplice eterno da mente mundana, guardião interrupto até daquilo que nem ainda tem forma, nem vida. É de ti que nasce toda loucura e toda paz, é em ti que posso encontrar-me, somente aqui.E agora, como uma chave que liberta e aprisiona, tu selas eu em mim mesma e nunca, nunca me julgas.Paciente és tu. A espreita também do comodismo, alhiado da ignorância, porque teimas a querer dizer-me quem sou, como se eu não soubesse?Querido papel em branco, de ardente desejo é roubar-lhe a identidade, não suportar ver-te como és, tão fresco e profundo, de tanto amor que tenho por ti quero sempre marcar-te de mim. De que ainda nada digam minhas palavras, elas existem, e isso é tudo.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

tentativa poética

,quanto tempo leva um piscar? dentre tantas outras coisas a adentrar, tudo, o que ainda parece pouco pra descrever, permanece intacto, no espaço profundo de um tempo em branco,... ... se, de movimento tão intenso, que foge ao sopro ágil de um piscar ...de consequência, aos olhos restam deixar de fechar,... se, é nesse momento ínfimo (dado que é da pequenez que a vida brota), que a alma se afaga, apertando-se em conter aquilo que está a ponto de explodir

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

entreportas

Apaixonei-me pelas palavras... ...Lendo amigos antigos, de repente quase, por um instante, desconheci-me. Ou, desconhecia-me, em algum passado ao lado... De onde me encontro agora, posso ver quase toda minha vida, ...toda a vida, se produzindo no agora, pra eternidade. parece, que acordei de um sonho bom, um sonho de risos e festas, ...e aquilo, o que ainda é, transformou-se de súbito na imagem do reflexo. a construção, a distância, o nada.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

paradigmas existenciais

Quando nos colocamos em uma posição de presentes na estrutura dinâmica, como seres que estão a frente a tela em branco, com o pincel e tinta na mão, dispostos e confiantes que podemos pintar o melhor quadro, melhor em nossa concepção de melhor. Somo sinceros conosco, agimos em prol de nosso melhor, ou da concepção do que é melhor. Concepção, conceito ação. Interfiro na realidade, porque me sinto disposto e confiante, confiante da concepção do melhor. Interfiro, porque constato que algo não está bom o bastante, que minha interferência, na concepção do que pode melhorar, insere a verdade naquele momento. Interfiro porque estou presente, consciente da realidade que se coloca a frente, a tela em branco. Consciente do inconcluso, inacabado, enxergo o em branco. Interfiro, porque a realidade que se apresenta, em branco me pertuba. Conflitua com a concepção que construi até aquele momento. Interfiro, quando me faço parte da construção da realidade, também, quando permito que seja um agente, parte do processo. Permito-me intervir na inércia, quando assumo a permissão. Na inércia permitida por mim próprio. Sou interventor da realidade, decido e permito. Quando intervenho na realidade, como um eu e um outro ao mesmo tempo, desconstruo o individualismo, a violência. Intervenho, como passo para o melhoramento, do eu e do outro. Negar o outro, na ascensão, no melhoramento, é negar ao eu. Anular a existência, própria, de si. Essa posição gera sofrimento, como a representação do não desejo, do não querer, da não vontade própria do si, como algo que não permito. O sofrimento do outro, é sofrimento quando permito que seja. Quando permito, assumo, decido, opto. Intervenho na realidade, sou presente com o outro, junto. Quando assumo o sofrimento do outro, assumo a existência, do outro, do eu. Assumo e posiciono-me, sou, com o pincel e a tinta, frente à tela em branco. Assumir a presença, como a impossibilidade de não assumir a não presença, quando assumo a não presença, o não assumir, ainda decido, assumir o não assumir. Quando?

domingo, 21 de junho de 2009

um longo texto

Saudações tripulantes! Hoje em sala de aula, abordamos o assunto educação, e toda a discusão que vem junto. De quem é a culpa, de um sistema precário, ineficiente e cego? Não chegamos a nenhuma conclusão, claro, ninguém é culpado, ou todos somos?Houve discursos de ex professores, pais e alunos, cada qual salientando seu ponto de vista. O interessante das discussões acerca de assuntos sociais é que todo mundo tem uma teoria, e geralmente essas teorias apontam logo o porque que os sistemas não dão certo. É culpa da família, do governo, dos professores, da escola, do traficante, etc. Por que ficamos tão excitados em culpar alguém? Acredito que ter consciencia de pontos falhos da nossa existência, é muito importante para repara-los, aliás é o primeiro passo. Mas, se for, justamente, querermos a toda prova encontrar alguém, ou algo para colocar na cruz, for o ponto falho?Por onde começaríamos uma mudança, se partíssemos de outro ponto, que não fosse culpar?Entendam tripulantes, não estou dizendo que o caminhar deve ser cego, pelo contrário. Ficar nesse hiato incessante, a caça das bruxas, dispensa-nos energia que nem temos noção! Travamos uma briga de egos, quem tem mais razão?Entramos na realidade da mudança, esperando algo que supra as minhas necessidades de encontrar o culpado e extermina-lo? Ou somos a mudança e agimos com ou sem culpados? Se não existissem os culpados, teríamos o mesmo fervor em agir em prol dos nossos ideais? Queremos uma mudança, que mudança? Vamos usar das lacunas de nossa sociedade para achar os culpados, ou por que simplismente essas lacunas não deveriam existir?Quero dizer, que creio, que a mudança é acima de tudo uma mudança de conceitos. Não estamos mais em época de travar lutas, bastam as guerras! Se queremos paz, respeito, devemos senti-lo até por aqueles que odiamos, os culpados? Ou até mesmo os sentimentos nobres devem passar pelo crivo pontual da mente humana?Por que se os culpados não forem culpados, o que vão ser? Quem vamos odiar? Será então que nós, nos alimentamos deles?Por que precisamos dessa contrapartida para que a vida faça sentido? Se não existisse a que odiar, ainda assim preservaríamos o amor, pelo simples fato de amar? Ainda que nossas necessidades básicas não fossem corrompidas, buscaríamos elas, pelo simples fato de buscar?Engajamo-nos para que possamos levar ao outro as oportunidades de escolha. Mas, nós temos oportunidades de escolhas? Nos nos damos oportunidades, como seres humanos? Conhecemos a nós mesmos? Ou usamos desse cenário para dar sentido a nossa vida?Estamos todos juntos, inseridos uns nos outros, e outros em uns. O meu movimento interno reflete no movimento do todo, e vice-versa? Se assim for, alimentar o ódio, culpa, engano, sabotagem, mesmo que seja pelo Bush, e em última instância, na calada da noite, por mim mesma não é alimentar aquilo que mais repudiamos? Ou seria nos alimentar?Utopia...

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Ser, mulher


Estava há algum tempo sem escrever. O ato de escrever é crucificador. É por no papel um pouco, ou muito de mim. Esse tempo de abstinência se deu por eu não querer mais ser crucificada. Escrever aquilo que pensamos, que sentimos é, simbolicamente, um ato de súplica. Desejar que alguém compreenda um pouco de nós. Uma forma de materializar, afirmar o que somos ou o que queremos ser. E todo esse tempo tenho fugido disso. Não quero mais a compreensão, o entendimento, não desejo mais afirmar minhas emoções, não quero ser aprisionada por palavras. No dia 07 de janeiro eu completei 20 anos nessa dimensão. Não que isso significa alguma coisa, mas signica muito. 20 anos de vida. Até ontem não tinha parado para analisar todos esses 20 anos como anos, como tempo. Anos como mulher. Fui a casa de um amigo, que há tempo não via. Ele mora com a irmã. Em algum momento senti vontade de ir ao banheiro. E fui. No banheiro, que fica no quarto da irmã eu me deparei com um cômodo tipicamente feminino, um banheiro tipicamente feminino. Tapetes cor de rosa, toalhas cor de rosa e branca. Muitas escovas, de todos os tipos, tamanhos, vários acessórios para maquiagem, bóbis para cabelo, secador, chapinha, cremes, prisilhas, amarradores e etc. E ali, fazendo xixi e observando todas aquilas coisas foi o momento em que refleti sobre meus 20 anos como mulher. No meu banheiro, ou no meu quarto não há nada disso. E sabemos que todo ser humano se questiona quando se compara à outro ser humano, e se dá conta das diferenças. Questionei minha feminilidade, a importânica que todos aqueles apetrechos tinham na minha vida. Eu nunca tive bóbis de cabelo, muito menos aquela quatidade de pincéis de maquiagem! Eu nunca me identifiquei com a cor rosa, cor de minina. Percebi que nada daquilo faz ou fez importância na minha vida, pelo menos depois dos meus 7 anos! E me libertei. Percebi que eu me comporto muito mais como um ser humano do que como uma mulher, uma minina. Percebi que eu não preciso de bóbis para ser quem eu sou. Que meu feminino se manisfesta de outras maneiras, mais interiores, como força feminina e não como forma feminina. Vendo tudo aquilo me dei conta que exatamente onde não há o esteriótipo feminino é onde mais se encontra a feminilidade. Na dureza, na força, na decisão, no suor, no vermelho e não no rosa. E assim como não escrevo mais esperando que minhas palavras se materializem, também não espero que "minha" mulher se materialize, que ela chegue nos meus 20, 25 ou 40 anos. Ela já está comigo. Eu simplismente a sou.

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Pensamentos

É...É fim de ano! Nessa época até o percursso da minha casa até o centro em um ônibus lotado fica agradável. Os dias ensolarados parecem deixar as pessoas mais felizes, todas empolgadas indo às compras, pensando em como agradar aquela que ama. Dizem que é a época em que o ser humano pensa mais no próximo! Cada um da sua maneira. As convenções sociais sugerem que faça novos planos, que faça uma nova vida, que mude de casa, de carro, de amor...De 365 dias do ano, tiramos alguns no máximo uns 60, para pensar na nossa vida como vida e nas pessoas como pessoas. Somos cúmplices no nosso descaso para com a vida (inteira) e só tentamos reparar os buracos nos míseros últimos dias do ano. Mas já é um começo, literalmente. Nada melhor como um novo ano, como uma ruptura simbólica do passado. Uma chance de começar, recomeçar, de novo, o novo. Se realmente for assim, que venha o ano novo!

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Arte

Jeanne Hépturne - Modigliani
Um dos meus favoritos, principalmente depois que conheci sua história de vida. Amadeo Modigliani foi contemporâneo de Picasso, porém diferente do espanhol, sua arte não se enquadra à nenhuma escola. Mogiliani nasceu em Toscana na Itália, judeu, sofria de tifo o que o obrigou a mudar-se para Paris para se tratar. Retratista autônomo, fez fama pelos seus nus, que chocaram a sociedade da época (1900). Sua grande inspiração foi Jeanne Hépturne, com quem teve uma filha, Jeanne. O pintor viveu na miséria e os poucos que ganhava era para sustentar seu vício, o álcool e o haxixe. Morreu em 1920, aos 36 anos, por complicações devido à tuberculosa, e é claro pelo seu estilo de vida bohemio. Jeanne se suicidou no dia seguinte ao pular do quinto andar de um prédio, grávida de 9 meses. Para quem quiser saber mais sobre o pintor recomendo o filme Modigliani, de Mick Davis ( França 2006) estrelado por Andy Garcia. Um dos meus filmes favoritos também, não pela cinematografia, mas sim pela história em si, simplismente maravilhosa em sua tragédia. A primeira cena é um close de Jeanne dizendo a seguinte frase: Você já amou alguém tão profundamente, capaz de condenar sua alma à viver eternamente no inferno. Eu já."

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Arte

Les Mademoiselles D'Avignon - Pablo Picasso

Desde a Revolução Francesa, no século XVI o mundo nunca mais foi o mesmo, pelo menos no mundo da arte. A cena artística buscara por novos horizontes, cansada daquela mesmice empregadora. Queria-se liberdade e autonomia para as produções artístiscas. Assim foi feito. Na sociedade contemporânea, o desenvolvimento da arte se caracterizou por uma certa ruptura com as convenções que faziam dela um objeto para intelectuais ou burgueses. Mas o que se pode chamar de arte contemporânea vem muito depois do que se pode chamar de sociedade contemporânea, marcada com o fim da Revolução. O belo, segundo Kant, é perceber na forma de um objeto sua finalidade, sem que possamos determinar conceitualmente qual é o fim específico subjacente a ela. Pois bem, essa idéia de finalidade é remodelada, desgastada. Não se quer mais fazer uma arte que tenha um fim, ou melhor, se quer arte com a finalidade de não ter fim. Oras, em toda história da arte, grega, medieval, renascentista, barroca e clássica, tinha-se um significado por trás de sua confecção. A arte contemporânea não. O desenvolvimento do mercado favoreceu para que ela perdesse seu fim. A arte é feita para ser arte- a famosa l' art pour l' art - , não obedesce à convenções e regras que possam caracterizá-la com algum especificidade e assim determinar algum objetivo além desse: ser arte. Por assim ser, ela torna-se anti-social, desprezando normas e preceitos de estruturação preconcebidos. Então, a arte cria um significado a partir dela mesmo, da singularidade. Ela se afasta da sociedade para criticá-la. Esse afastamento produz um efeito individualizante da obra, no qual seu lugar no mercado é dado pelo seu valor de sí, para sí mesmo e não mais pela universialidade da experiência que cada um pode ter com ela. Por isso ela é tão envolvente. Nela é expressa uma experiência única, sem significado e livre de qualquer regra de interpretação. Na verdade, a arte contemporânea é como um grande quadro negro, onde pode-se escrever e desenhar o que quiser, não precisa mais de conhecimento ou classe para produzir, entender e consumí-la. O discurso é contra o preestabelecimento de normas, o homem está livre para pensar o que quiser. O capitalismo é alienante e a arte moderna quer mostrar isso. Para isso, ela usa de objetos que possam chocar. Apoderando-se de materiais que não são belos, adocicados ou harmoniosos. Prefere por contercer, desfigurar, arranhar, sujar, marcar, fomas e cores que agucem a sensibilidade do receptor. " Todo esse conjunto de elementos que chocam nossa sensibilidade, nossa imaginação e nossa forma de entender a realidade toma o estatuto de algo irracional. Mas essa irracionalidade estética, acaba sendo mais verdadeira e, portanto mais racional do que a aparência de racionalidade que a vida cotidiana possui, que dissimula o sofrimento de todos nós, submetidos à pressão das exigências culturais. A vida no sistema capitalista consiste, então, em uma dupla irracionalidade: recalca de forma exorbitante nossos desejos e obscurece nossos olhar para tal absurdo".

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

Parafraseando

Trecho extraído do livro Homem 70 de Sérgio José Shirato.
O caminho da personalização
O homem é um ser cuja vocação é ser pessoa: buscar sua unidade, sua liberdade, sua felicidade. Essa vocação é comquistada à custa de sofrimento e de riscos, porque " quando a gente anda sempre para fentre não pode mesmo ir longe". O homem é um ser que se personaliza através de uma constante evolução, de um contínuo caminhar, de uma contínua subida. O homem que aceita evoluir aceita correr uma série de riscos, exatamente porque o mundo dos outros nem sempre é paz, amor, receptividade. Quando tudo parece estar em ordem, pronto! Reaparecem problemas e, consequentemente o desânimo. O outro é alguém que encontro num processo igualmente dificil como o meu. As dificuldades com as quais me deparo em minha conversão para ser pessoas são as mesmas dificuldades que o outro encontra. Não estou diante de pessoas prontas; ao contrário, minha atitude é de fundamental importância para a personaização do outro. É na troca de experiênciaas que mantemos, que encontramos a bagagem necessária para o longo caminho da personalização. Nesse caminho, corremos riscos inúmeros. Mas, correr riscos é condição necessária para quem quer crescer. Quem não sabe "ex-por-se", não chegará a ser pessoa, não evoluirá. Jmais atingirá a perfição. Esta evolução significa exatamente a passagem do egocentrismo para o amor. Eu vivia só até qie rsolvi sair de mim mesmo e descobrir o meu "outro eu". Percebi a dificuldade de sair do meui planeta, porque ele era pequeno demais. Não havia aí lugar para duas pessoas. Mas percebi também que podia desembaraçar o meu pequeno mundo - jogar fora muita coisa velha que guardava durante o tempo de minha solidão. Constatei, então, que, meu planete não eratão pequeno assim. Destravancado, eu estava mais apto para amar de verdade. Compreendi que enquanto não me conhecesse um pouco mais, não poderia reconhecer como verdadeiro o mundo do outro, do tu. Senti necessidade de crescer em minha autoconfiança, o movimento de personalização só tem pelno sentido quando atinge a pessoa do outro e sobretudo quando eu me torno capaz de ser fiel a uma rosa. Descobri que " o essencial é invisível aos olhos. Só se vê bem com o coração". As aparências enganam. É preciso chegar ao íntimo da pessoa amada. E quanto mais eu chego ao íntimo da pessoas que eu quero atingir, tanto mais eu descubro as riquezas do meu próprio ser.